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Um bom intérprete é um bom cantor?

Marianna Soter
Marianna Soter

No mundo da música, algumas vezes ouvimos alguém comentar: “Fulano é um ótimo intérprete…”. Mas ser um bom intérprete significa ser um bom cantor? Não necessariamente. Afinal, cantar bem compreende muito mais do que isso!

Temos a parte relacionada a técnica vocal, ou seja, tudo que envolve as práticas para uma boa emissão vocal como respirar corretamente, usar o apoio diafragmático, condicionar os músculos relacionados ao trato vocal, saber ajustá-los e transitar pelos diferentes registros vocais com destreza… Enfim, algo que qualquer pessoa saudável pode conseguir através de estudo, prática e dedicação.

Um bom cantor também tem uma boa compreensão da linguagem musical, entende de escalas e intervalos melódicos (o que o ajuda a ser afinado), de rítmica (o que o ajuda a ser preciso) e de harmonia (que o faz ter consciência de sua emissão melódica), ou seja, coisas que também podem ser compreendidas através de dedicação e estudo. Mas, e a tal da interpretação?

Você já teve a oportunidade de ouvir um cantor super “técnico” mas que, quando canta, não passa nenhuma emoção através da canção? Pois é, a interpretação é o que diferencia uma música singela daquela música que mexe com você te deixando alegre, triste, com saudades de alguma coisa… Ou, às vezes, sentindo tudo isso junto! Isso acontece porque toda música tem um discurso implícito, mesmo aquelas que não tem letra. Através de padrões melódicos e harmônicos, uma canção manda sinais que nosso cérebro traduz em emoções. Para os cantores, fica ainda mais interessante passar essas emoções através da música, pois nós contamos com a ajuda de um elemento importantíssimo: a palavra! Pois é, essa é a grande diferença entre o nosso instrumento (a voz) e os outros instrumentos comun. Nós somos os únicos que trabalhamos com letra na melodia! Enquanto os outros instrumentistas passam emoções somente através das notas, os cantores podem passar mensagens claras, poesias, contar histórias, e isso faz toda a diferença! Sem uma boa interpretação não dá para ser um bom cantor. Mas e sem a técnica e o estudo da linguagem musical? Menos ainda! Desenvolver só um dos critérios não basta, um cantor que equilibra todos esses aspectos com certeza conseguirá ótimos resultados!

Mas como estudar interpretação? Bom, entender de linguagem musical ajuda muito, assim compreendemos melhor o discurso harmônico e melódico de uma música. Mas uma experiência simples que você pode fazer para começar é ouvir diversas gravações de uma mesma música com cantores diferentes. Preste atenção no que eles mudaram dentro da melodia, se existem notas adicionadas ou retiradas, mudanças rítmicas ou até mudanças no timbre da voz de cada um. Escute também, se puder, alguma versão instrumental da mesma música prestando atenção ao instrumento solista. Quanto mais ouvir, mais rápido você conseguirá notar as diferentes nuances de interpretação. Tente praticá-las também, brinque dando ênfase nas palavras que você acha que se relacionam com sua interpretação da música!

Vou deixar aqui, como exemplo, interpretações de duas músicas para que você note as diferenças. A primeira é “Ponta de Areia” do Milton Nascimento. Escolhi uma gravação cantada pela Elis Regina e outra pela cantora norte americana Esperanza Spalding. A outra música é a “Shallow” do filme “A Star is Born”. A primeira versão cantada pela Lady Gaga com o Bradley Cooper e a outra gravação com a cantora Kelly Clarkson.

Enfim, pratique, escute e estude! E claro, conte com os cursos de canto da musicdot para te ajudar nessa jornada!